LDO 2019 - Oposição discorda da proibição de contratações e reajuste salariais e da extinção da “regra de ouro” para liberação de créditos, diz Afonso Florence
Coordenador do PT na Comissão Mista do Orçamento detalha itens em que não há consenso no relatório Do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias
( Publicada originalmente às 14h 43 do dia 11/07/2018)
(Brasília-DF,12/07/2018) O coordenador do PT na Comissão Mista do Orçamento (CMO) apontou na manhã desta quarta-feira, 11, itens em que não há consenso no relatório do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2019.
O texto produzido pelo relator do projeto, senador Dalírio Beber (PSDB-SC), está sendo discutido desde cedo pelos coordenadores dos partidos no colegiado. A intenção dos congressistas é que o projeto seja aprovado ainda nesta quarta tanto na Comissão, à tarde. E, à noite, no Sessão Conjunta do Congresso Nacional.
Regra de Ouro
Afonso Florence afirmou que da parte PT e outros partidos da oposição, como PDT, PCdoB e Psol, há desacordo em relação ás mudanças propostas pelo relator na chamada “regra de ouro”‘
Dalirio Beber manteve o dispositivo da LDO, proposto pelo governo, que autoriza a lei orçamentária a prever despesas correntes que serão custeadas pela emissão de títulos públicos além do limite permitido pela Constituição. O governo deverá enviar ao Congresso um projeto de crédito solicitando a autorização para a emissão de títulos.
Segundo a Constituição, a emissão de dívida deve estar limitada ao tamanho das despesas de capital, como investimentos. Essa trava é chamada de “regra de ouro” das finanças públicas. Para 2019, o governo alega que não conseguirá cumprir a regra, necessitando da chancela do Congresso para emitir mais títulos, o que é permitido pela Constituição.
Desrespeito
“Esse governo deve dizer onde corta despesas ou incrementa receita, e não dizer que é um ônus do governo que vem. E o relatório também não pode dizer que é preciso uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) para rever a ‘regra de ouro’. Nós temos a Emenda Constitucional 95 que estabelece o teto dos gastos e temos a gestão da dívida pública que onera o fiscal, pagando os juros da dívida. Então não é acabando a ‘regra de ouro’ que se resolve tudo”, contestou Florence.
Para o coordenador do PT na CMO há um despeito do governo Michel Temer à ‘regra de ouro’.
“É uma regra constitucional. Tem quer ser respeitada agora, por este governo. Apresentar um anexo compatível com o exigido. Não dá para ter créditos sem que seja para despesa de capital. Créditos para custeio, que é mais ou menos isso que está desenhado, emendou.
Contratação de pessoal
Outro ponto que a oposição avisa que não negocia no relatório da LDO para 2019, segundo Afonso Florence, é o proíbe a contratação de pessoal.
Um item do projeto libera a contratação de pessoal somente para universidade criadas nos últimos cinco anos.
“Nós achamos que tem universidades que podem não ter demanda de pessoal e outras criadas há 40/50 anos que podem ter demanda. Isso é o governo, os ministérios, com as universidades e que vai decidir identificar quem precisa de pessoal”, sugere Afonso Florence.
Reajuste de pessoal
O relatório da LDO também veda o reajuste remuneratórios e reajuste de benefícios a servidores, o que é criticado pelos coordenadores do PT, PDT e PCdoB.
“Esse ponto que trata do reajuste de pessoal, nós entendemos que atendo o Incra, a demanda do Judiciário, a demanda das universidades e a Fasubra (Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras)”, frisou Florence, propondo que seja suprimido esse item do relatório.
“Suprimindo esse item, é o próximo governo é que vai negociar com as categorias do funcionalismo qual é o reajuste que ele tem condições de dar, do ponto de vista orçamentário, e que ele identifica como prioritário”, acrescentou.
(Por Gil Maranhão. Agência Política Real. Edição: Genésio Jr.)