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  • Contato Brasil, 22 de agosto de 2019 05:07:11
Genésio Jr.
  • 28/04/2019 13h02

    O problema não são os filósofos, mas da filosofia!

    Na verdade, o Presidente Jair Bolsonaro não está querendo enfrentar outra questão, que exigira a participação do Congresso Nacional

    Bolsonaro para enfrentar o modelo educacional vai ter que encarar o Congresso e a Constituição que jurou( ( Foto: Exame Abril)

    (Brasília-DF)  No apagar das luzes da semana passada, o Presidente Jair Bolsonaro anunciou que o Ministério da Educação iria reduzir sua energia para os cursos de sociologia e filosofia para investir em veterinária, engenharia e medicina.  Ele justifica que o contribuinte precisa investir onde teria mais retorno.

    É inquestionável que o presidente exagera, mas isso tem a ver com uma batalha ideológica inaugurada por esse governo. O Presidente é a favor da proposta que ficou conhecia como “Escola sem Partido”. Ele avalia que as escolas estão “contaminadas” por uma ideologia de esquerda, que faz com que professores doutrinem jovens a serem favoráveis a teses “esquerdistas”.

    Todo mundo que conhece educação sabe que não dá para tirar a ética da ciência. A história está cheia de casos em que nos demos mal quando tiramos a discussão intensa do centro da sala. Basta lembrar as experiências, que se tem conhecimento, tanto as feitas pela Alemanha Nazista como pela União Soviética Stalinista.

    Na verdade, o Presidente Jair Bolsonaro não está querendo enfrentar outra questão, que exigira a participação do Congresso Nacional.

    O Presidente Bolsonaro e seu grupo ideológico avalia que se reduzirem os cursos de sociologia, recheados de doutrinadores simpáticos a social-democracia, a democracia-liberal ou até o recente o social-liberalismo já seria suficiente. Não é nem para atender seus objetivos imediatos e nem para o resto da sociedade.  

    Os cursos de sociologia e filosofia são cursos baratos comparados com os cursos de exatas. A pesquisa é o que é mais caro, professores tem que fazer estudos que dispendem muita das Universidades. O Governo Federal através do MEC não fiscaliza e obriga que as universidades privadas façam pesquisa.

    Para que se reduzisse a influência do pessoal das humanas nas universidades, e consequentemente nas escolas, se tem que enfrentar a autonomia universitária.

    Esse assunto é constitucional e merece uma revolução no Brasil. Esse é um dos grandes desafios de um governo no Brasil. Esse seria a grande tarefa de um Governo Jair Bolsonaro, mas isso daria muito trabalho.

    Para mexer na autonomia universitária, que está na Constituição, Bolsonaria teria que fazer um concerto no Congresso. Ele mal consegue fazer algo com a reforma da Previdência, imagina mexer num assunto como esse!

    Por que a autonomia universitária precisa ser enfrentada?  Porque é necessário que as universidades públicas brasileiras recebam investimento da sociedade, através de empresas e de parcerias público privadas. Os que comandam as universidades temem que isso gere o fim da máxima do ensino público e gratuito, que está em nossa Carta Magna de 1988.

    Isso vai mexer com a autonomia pois os financiadores privados poderiam opinar no modelo de escolha dos reitores, os gestores dessa  tal autonomia. As grandes universidades deveriam ser comandas tanto pelos seus financiadores, como pela sociedade.  Esse seria um grande enfretamento que daria mais dinâmica para a formação nacional.

    Parece claro para a sociedade, a cada fracasso nosso no Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes( PISA,  que algo precisa ser feito. As universidades precisam de investimento privado e de um sistema em que recebamos professores visitantes, um sistema caro. Não podemos ficar à reboque do proselitismo e da demagogia do processo eleitoral nas universidades públicas. O processo deve ser democrático mas ajustado as melhores experiências internacionais.

    Bolsonaro ao querer tirar o que pouco já tem o pessoal de filosofia e sociologia age como o marido traído, que tira da sala o sofá onde se deu a traição!

    Democracia dá um trabalho!

    Por Genésio Araújo Jr, jornalista

    Email: [email protected]